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TRANSPLANTE DE CÉLULAS-TRONCO NO TRATAMENTO DE DIABETES

Portadores de diabetes melito, distúrbio ocasionado pela destruição da célula do pâncreas que leva à deficiência absoluta de insulina, também poderão ser beneficiados com os avanços nos transplantes de células-tronco.

A nova aplicação do procedimento, discutida durante o Congresso Europeu de Transplantes de Medula Óssea, realizado em março de 2006, na Alemanha, está sendo estudada pelo grupo de hematologistas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) em Ribeirão Preto e representa uma grande esperança para os pacientes.

O diretor Técnico do Núcleo Hematologia e Oncologia, Wellington Morais de Azevedo, explica que o transplante autólogo – que utiliza a medula do próprio paciente – é indicado para portadores de diabetes melito tipo I recém-diagnosticada, com idades de 12 a 35 anos. “Nesse caso, o índice de morbidade é baixo e não há registro de mortalidade relacionada ao procedimento”, justifica.

Segundo o hematologista, os resultados têm sido bastante satisfatórios, conforme revelaram os estudos mostrados durante o congresso. Nove entre 11 pacientes ficaram independentes de insulina e dois tiveram as doses reduzidas durante mais de dois anos de acompanhamento, além de apresentarem controle metabólico e produção de insulina adequados. O transplante possibilita ainda uma reorganização do sistema imunológico e a aquisição de tolerância imune, interrompendo o processo de destruição do pâncreas.

Os autores do trabalho – A. Stracieri, B. Simões, C. Couri, D. Moraes, J. Voltarelli, K. Malmegrim, M. Coutinho, M. Foss, M. Foss-Freitas, M. Oliveira e R. Burt – também estudam a aplicação de células-tronco em outras doenças auto-imunes e reumatológicas, colaborando com vários serviços do exterior e do país, incluindo o Hospital Socor.

Transplante de células-tronco no tratamento de diabetes

O transplante de células-tronco criopreservadas em um banco privado para uma criança com anemia aplástica severa foi relatado por uma equipe médica do Mount Sinai Medical Center (Nova York/EUA) em artigo publicado na revista científica Biology of Bloond and Marrow Transplantation, da Sociedade Americana para o Transplante de Sangue e de Medula (edição de novembro/2004).

A paciente teve uma falha hepática fulminante de origem desconhecida com 20 meses. Após transplante hepático, a criança desenvolveu anemia aplástica severa. A equipe médica procedeu então ao transplante de células-tronco do sangue de cordão umbilical, criopreservadas ao nascimento em um banco privado.
Três anos após o transplante, a paciente está em remissão (recuperação) hematológica completa e apresenta níveis sangüíneos normais.

Referência: Fruchtman SM, Hurlet A, Dracker R, Isola L, Goldman B, Schneider BL, Emre S. The successful treatment of severe aplastic anemia with autologous cord blood transplantation. Biol Blood Marrow Transplant. 2004 Nov;10(11):741-2.

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